quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Do amor ao próximo

Desde que conclui a leitura de Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévisk, senti-me impelido em deixar aqui no Cunhão algumas impressões acerca desta obra de grande magnitude para a literatura internacional.
Vários enfoques poderiam ser dados: o parricídio (morte de Fiódor Karamázov por um dos seus filhos); a santidade de Aliócha e seu imbuído e precoce amor ao ser humano; ou a erudição de Ivan nos campos da história, filosofia, literatura e religião. Vou restringir todo o arcabouço do livro e considerar aqui, nesta postagem, apenas uma das facetas do pensamento de Ivan Karamázov: o amor ao próximo.
Num dos diálogos quilométricos (característica marcante de Dostoiévisk) mantido entre Aliócha e Ivan, este, num impulso de revolta, confessa não entender como se pode amar o próximo, pois, em sua visão, é justamente o próximo que não se pode amar, só os distantes é possível amar. A questão é saber se isso se deve à má qualidade das pessoas ou se essa é a sua própria natureza.
Jesus ao ver sua hora chegar, se despede dos discípulos deixando um mandamento novo: “...que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 15,34). E em outra passagem: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,39).
Para o nosso relutante Ivan, o amor de Cristo pelos homens é, em seu gênero, um milagre impossível na terra. É verdade que Ele foi Deus. Mas nós não somos deuses.
Questão polêmica!
Compartilho aqui com os leitores, a título de ilustração, que nunca me senti tão amado por minha família, e nunca os amei tanto, como nesses últimos 4 anos em que me encontro distante, morando noutra cidade. Nunca hei de esquecer o retorno à casa paterna depois dos primeiro 4 meses de vida “fora do ninho”. Nunca esquecerei (sou saudosista deveras) o afetuoso abraço e o beijo no rosto dado pela Ceci, minha irmã, considerando que nunca fomos tão próximos assim ao ponto de nos tocarmos. Nunca esquecerei o entusiasmado “Ohhhhh meu fíííí” da dona Ivanilda ao me receber sob beijos com gosto de café e abraços impregnados de nicotina. E sem falar do alegre “Deus te abençoe” do seu Cristóvão ao me abraçar ternamente.
Será que para amar uma pessoa é preciso que ela esteja distante ou escondida? Será que se ela mostrar o rosto o amor declina ao ponto de mitigar? Por que é mais fácil amar quem tá distante? Vejam vocês se há aplicação nas vossas vidas. Concordando ou não, o pensamento foi lançado. Que os rios subterrâneos de nossos pensamentos nos levem ao porto seguro da compreensão.
Voltarei no próximo post, talvez com algo ruminado a partir destas realidades. A discussão não acaba aqui, pois amar nunca é demais, mas amar nunca, é demais!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Ingrês" para 2014

O Brasil sediará a Copa de 2014. Como muitos turistas de todo mundo estarão por aqui é imprescindível o aprendizado de outros idiomas (em particular o inglês) para a melhor comunicação com eles. Pensando em auxiliar no aprendizado, o Cunhão teve uma daquelas ideias visionárias e foi atrás de uma solução prática e rápida!! Chegou o sensacional curso 'The Book is on the Table', com muitas palavras que você usará durante a Copa do Mundo de 2014. Veja como é fácil:

a.) Is we in the tape! = É nóis na fita.
b.)Tea with me that I book your face = Chá comigo que eu livro sua cara.
c.) I am more I = Eu sou mais eu.
d.) Do you want a good-good? = Você quer um bom-bom?
e.) Not even come that it doesn't have! = Nem vem que não tem!
f.) She is full of nine o'clock = Ela é cheia de nove horas.
g.) I am completely bald of knowing it. = To careca de saber.
h.) Ooh! I burned my movie! = Oh! Queimei meu filme!
i.) I will wash the mare. = Vou lavar a égua.
j.) Go catch little coconuts! = Vai catar coquinho!
k.) If you run, the beast catches, if you stay the beast eats! = Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come!
l.) Before afternoon than never. = Antes tarde do que nunca.
m.) Take out the little horse from the rain = Tire o cavalinho da chuva.
n.) The cow went to the swamp. = A vaca foi pro brejo!
o.) To give one of John the Armless = Dar uma de João-sem-Braço.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Segundo os chineses, hoje é um dia de sorte. É um dia bom para casar: 09/09/09, em mandarim, significa eternidade. Nem pensar em entrar numa dessa com a pessoa errada, seria um catimbó sem precedentes. E se o usurado pronunciar o tal do "sim" às 09:09:09 o negócio deve ir mesmo até o armagedom! Cuidado, a eternidade é tempo demais!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

.................... e.m...t.o.d.a...p.a.r.t.e ....................


“Ó minha amada,
para uma alma afligida pela solidão
e vivendo num vale de lágrimas
que se tornou a tua ausência
é grande consolo saber que estás em toda parte”

(trecho da obra Um Pergolado tateia no escuro, de Paulo Latejand)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Clássicos da Literatura

As azáfamas da vida não deixa tempo para uma boa leitura? Vai se jogar no Ganges só por isso? Seus problemas acabaram! O Cunhão Trincado apresenta um resumo de alguns clássicos da literatura internacional para você aumentar sua cultura e ter o que botar na mesa na hora de discorrer sobre assuntos do gênero.
----------------------------------------------------------------

Othelo
William Shakespeare (525 páginas)

Um rei otário, tremendo zé-roela, tem um amigo muito filho da puta que só pensa em fazê-lo de bobo. O malandro, não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O zé mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho. Fim.


Édipo-Rei

Sófocles (804 páginas)

Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos de cara em cada consulta. Parada muito doida. Fim.

Hamlet
William Shakespeare (742 páginas)

Clássico! Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que, entretanto, se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado.
Fim.

Romeu e Julieta
William Shakespeare (425 página)

Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga grande, muita gente se machuca. Então, um padre filho da mãe tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero.


Os Lusíadas
Luís de Camões (650 páginas)

Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super gente fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas. Fim.


À La recherche du temps perdu
Marcel Proust (1600 páginas)

Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486 vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág.1344, vol.VI)‏ tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos - e pronto. Fim.

Guerra e Paz
Leon Tolstoi (1200 páginas)

Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.

Madame Bovary
Gustave Flaubert (778 páginas)

Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre. Fim.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O tal do Gopal

se eu fosse o tal do gopal
com sua hinduística mística
talvez fosse a vez
de singrar no teu mar

e se num átimo contíguo
redecifrasse a tua face
saberia como seria
o sabor desse labor

remoendo, compreendo
que tua ausência é presença
percebida numa ferida
que insiste em ser triste

se não fosse a pose
de eloquencia e inocência
que trago nesse peito suspeito, diria:
“ó, mágoa, desagua nestes olhos rasos d'água!”

Cristóvão Júnior é neófito nas letras, escritor incauto, e atrevido deveras, envia diariamente a um jornal local seus artigos chinfrins na esperança de vê-los publicados.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

MeViTeVendo

O quadro MeViTeVendo de hoje trás o ambiente interior percebido por este estóico escriba ao despontar desta manhã cinzenta e chuvosa: Uma miscelânea de Geraldo Carneiro com Macunaíma. De um lado a preocupação latente com a marginalidade literária e com a institucionalização da mentira no Brasil, levando a poesia a uma espécie de reserva ecológica da sinceridade. Do outro lado, “ai que preguiça!”

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

ADeus

Aos que ficam, fica meu adeus. A Deus, fica a certeza do encontro. Quanto ao encontro, que eu me encontre primeiro.

Pra dizer adeus - Roberta Sá

Adeus
Vou pra não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sozinho.

Tão sozinho amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Desse meu caminho.

Ah, pena eu não saber
Como te contar
Que o amor foi tanto
E no entanto eu queria dizer.

Vem
Eu só sei dizer
Vem nem que seja só
Pra dizer adeus.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bastidores

Depois de deixar Bastidores de Chico Buarque no repeat durante toda semana passada, e, ainda, ter que conviver com essa cantiga no juízo durante o weekend, vim aqui para vomitar meus inebriamentos e pertubações. Não quero amaldiçoar o dia em que te conheci, nem tão pouco chorar até ficar com dó de mim. Quero apenas lançar um pouco de bálsamo numa ferida já cicatrizada.
Tal música me causa frisson, possui uma apelo cheio de desvarios, algo como cura e libertação. É minha música preferida na hora de entrar debaixo do chuveiro pela manhã. Depois duma preparação prévia, envolvendo respiração e concentração aprendido com ninjas yogui, entro debaixo d'água entoando as berros tal canção com toda a profusão e delírio, a fim de driblar sua gélida temperatura.
Chico Buarque é o cantor de alma feminina por excelência! Este é um dos que deve ter um pacto secreto com a Eternidade. O que seria a “pedra de toque” para atingir o alto grau da maturidade buarquiana?
Partindo da premissa de que há vida depois dos palcos, Chico vem produzindo bastante fora deles, nos bastidores. Uma prova disso é seu novo livro, Leite derramado, sucesso de venda e de crítica (posteriormente, os leitores deste Cunhão ficarão inteirados de seu teor).
A partir das produções deste ícone da nossa cultura, tanto literária quanto musical, vou traçar aqui um paralelo no que diz respeito à vida no seu aspecto oculto, bastidoricamente falando.
Viver nos bastidores: levar uma vida discreta, sóbria e consciente, realizando um trabalho silencioso, sem ao menos ser notado e sem se perceber.
Não sei o que acontece, pois as vezes me parece que os valores são tão transitórios, porém pungentes, que nos arrastam impiedosamente com as mais anêmicas efemeridades. Somos uns tolos!
É nos bastidores da vida que a ferida é aferida, para que se possa remediá-la da forma que convém. É nos bastidores da vida que a decisão importante é tomada, que a paz é encontrada, a insegurança afastada, a sexualidade canalizada, a libertação notada. É nos bastidores da vida que as inquietações são amenizadas para a partir daí surgir um novo homem, capaz de encarar com robustez o pensamento massificado e alienado das quiméricas seduções do ego. (Narcísio acha feio o que não é espelho).
No espetáculo da vida, o que escolher: A luz e o glamour dos holofotes ou a escuridão e o anonimato dos bastidores?
O cético arrogante e altaneiro bufa ao questionar: “Como ficar na história e deixar um legado para as futuras gerações levando uma vida de bastidores medíocre e sem graça como essa?”. Deu para perceber qual é o fio condutor do atual pensamento, pérfido e cheio de vaidades, que nos leva ao precipício ao toque de caixa, numa velocidade imperceptível, que só chega ao nosso perceber quando estamos exaustos e depressivos, pois se constata que a vida nem sempre nos aplaudirá, nem sempre teremos o sucesso almejado, que os nossos cd's não estão vendendo tanto assim. E o simples imaginar de que se está em decadência e fora da Brodway faz pôr em xeque a qualidade desta vida sob o brilho opaco de flash's e holofotes, sob ilusórios confetes, plumas e paetês, sob um falso glamour e requinte que dura apenas um breve instante, aquele décimo de segundo em que o ego é massageado e a sensação de objetivo alcançado é sentido entre os dedos num brevíssimo momento.
Pena que tudo se esvai, tal como a bruma da madrugada ao despontar do sol, para o descontentamento da turba.
Sinto na alma o desejo de bastidores. Claro que nem sempre é/foi assim. É por estar nesse momento ocultado por detrás do cenário que me vem essas clarevidências para serem partilhadas com os leitores que aqui se achegarem.
Não sou inconstante nas minhas definições. Sou constante nas minhas indefinições. Prefiro assim. A inconstância é grave falha. A indefinição é virtude rara.
Artur da Távola, envolto em seu manto de lucidez e empunhando o estandarte de sobriedade, afirma que quem define são aqueles que temem continuar pensando, por parecer mais fácil.
As vezes me percebo inconstante nas minhas definições, sempre tendo definições a cada passo, acreditando nelas, vivendo em contradições. Perceber-se assim já é bater em retirada e retomar o caminho de volta. Tudo é permitido, mas nem tudo convém.
Prefiro ser constante nas minhas indefinições. Que me seja dada a constância de não se intrometer no fluxo natural da vida, permanecendo aqui onde cá estou: na obscuridão dos bastidores e na indefinição.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Da série: "Aurélia, a dicionária da lingua afiada!"

Todos nós aqui da redação do Cunhão Trincado estamos super felizes pela estréia do novo quadro deste blog: “Aurélia, a dicionária da língua afiada!”, que vem apresentar no “popular” e na informalidade o significado de algumas palavras e expressões que não são de domínio popular, a fim de acabar peremptoriamente com as dúvidas que por ventura possam surgir.

BICHO GRILO, bichus griluctus

Definição criada na década de 60 e que pegou muita força na década de 70 definindo uma pessoa com um estilo de vida coerente com o movimento hippie dos Estados Unidos. Com a decadência do movimento hippie a palavra passou a ser usada para designar uma pessoa com um estilo de vida não formal, não seguindo os padrões locais de consumo e comportamento. Geralmente indica a pessoa calma que gosta de paz e amor, usa roupas soltas do tipo artesanal e tenta imitar um estilo de vida como o de John Lennon ou dos hippies. Pode também ser usado para designar alguns tipos de maconheiros que tem um estilo de vida mais voltado para a natureza e distante da violência do tráfico e da marginalidade. Principalmente aqueles que ficam com cara de bobo o dia todo e falam bem devagar e só na gíria.

Ex: Aquele bicho grilo nojento toma banho só uma vez por semana e gasta duas horas para falar paralelepípedo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Fugacidade ou Fuga, cidade?

Se eu não acreditasse na vida, se perdesse a confiança na mulher querida, se perdesse a confiança na ordem das coisas, se me convencesse até de que tudo, ao contrário, é uma desordem, um caos maldito e talvez até demoníaco, mesmo que todos os horrores da frustração humana me atingisse, ainda sim eu teria vontade de viver, e já que trouxe esse cálice aos lábios não o afastaria de mim enquanto não esvaziasse! Pensando bem, lá por volta dos quarenta anos certamente largarei o cálice mesmo sem esvaziá-lo e me afastarei... não sei para onde. Mas até os quarenta anos, disso estou firmemente certo, minha mocidade vencerá tudo – qualquer frustração, qualquer aversão a vida. Muitas vezes fiz a mim mesmo esta pergunta: se existirá no mundo um desespero que vença em mim essa sede frenética e talvez insana de viver, e decidi que tal coisa parece não existir, ou, reiterando, não existe antes dos quarenta anos, porque depois eu mesmo já não vou querer, assim me parece.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Quem me roubou de mim?


"Saudade que tenho de mim, eu levantava com o sol, a baladeira no pescoço, bolacha e água no bornal"
(Santana o Cantador)

Quem me roubou de mim? O ladrão sorrateiro com sua sagacidade foi atrás das maiores riquezas no lugar errado. O vacilo foi buscar fora aquilo que estava dentro. Pensava ser vantagem as bijuterias que via por aí em detrimento do tesouro que se escondia no mais recôndito e inaudito lugar.

Quem me roubou de mim? Enquanto eu me “achava”, ia me perdendo. Perder-se para se achar ou achar-se para se perder? Com o coração contrito, faço esse desabafo com todos aqueles que miram os fundos de suas xícaras existenciais: Trago em minha carne as marcas das experiências vividas e na lembrança os flash dos momentos de outrora. Pego-me pensando na possibilidade de não ter escrito algumas páginas doloridas nessa minha vida de cigano errante, matutando se isso seria realmente interessante. Ora bolas, ficar pensando em possibilidades absurdas é viver em completa inanição. Pedala esse assunto.

Quem me roubou de mim? O fato é que mais cedo ou mais tarde a queda do cavalo ocorrerá, e o choro acompanhado de remorsos será inevitável. Querer voltar pra barriga de mamãe está fora de cogitação. O que aconteceu com o Apóstolo Paulo no caminho para Damasco é o norte que quero dá nessas mal digitadas linhas. Ao ser ofuscado pelo brilho do Ressuscitado ele precisou de ajuda. Teólogos atestam que a conversão de Paulo se deu na convivência com a comunidade cristã, durante a reabilitação de sua visão. Passado esse tempo de “penúria”, Paulo passou a ver a vida com outros olhos, literalmente.

Quem me roubou de mim? Que uma vaca banguela me morda se de ti, oh doce juventude, eu não me recordar. Lembro com saudade de como era bom o convívio com os amigos lá do Santa Fé, amigos que comungavam os mesmos ideais de retidão, santidade e compromisso; o como era bom acordar cedo e ir à missa no Carmelo; de como era bom os retiros pregados pelo Frei Adolfo; de como era bom as embates filosóficos com o Pedro; o quanto era boa a amizade da Irmã Rita; do quão bom era a presença do Francinaldo; o quão bom era o namoro santo com Dalila; do quanto era bom no tempo do Padre Jorge...

Quem me roubou de mim? Como uma rolinha fogo-pagou eu me pego a repetir incessantemente esta indagação, a espera do milagre. Ah se esse milagre viesse a se tornar realidade. Ora, não são os milagres que inclinam o realista para a fé. O verdadeiro realista, caso não creia, sempre encontrará em si a força e a capacidade para não acreditar no milagre, e se o milagre se apresenta diante dele como um fato irrefutável, é mais fácil ele descrer de seus sentidos que admitir o fato. Apesar de ser realista, prefiro deixar esta minha faceta às escondidas. O apóstolo Tomé declarou que não acreditaria sem antes ver, e quando viu disse: “Meu Senhor e meu Deus!” Terá sido o milagre que o fez acreditar? É mais provável que não, mas ele acreditou unicamente porque desejou acreditar. Parafraseando o truta do Descartes: acredito, logo existo.

Quem me roubou de mim? Existe em mim uma mágoa silenciosa e muito tolerante, que se recolhe em si mesma e se cala. Mas há também uma mágoa dolorida: esta irrompe às vezes em lágrimas e daí deságua em lamentos. Isso acontece de modo particular nas noites de domingo. No entanto, ela não é mais leve que a mágoa silenciosa. Aí os lamentos só mitigam porque irritam ainda mais o coração. Essa mágoa dispensa até o consolo, seu alimento é sentir que não pode ser mitigada. Os lamentos são apenas uma necessidade de sempre avivar a ferida.

Quem me roubou de mim? Enfim, é latente a intensão de empreender uma delicada busca, no afã de reaver aquilo que me foi roubado. Diligencias doloridas se farão necessárias. É um “cortar a própria carne”. O pecado fez estragos profundos. Mas a certeza que se tem é que um homem não pode, absolutamente, cometer um pecado tão grande que esgote o infinito amor de Deus. Ou será que há pecado capaz de superar o amor divino? “Claro (que não), Leonardo!”.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Condenado?

Depois de sorrateiros e histéricos pedidos, depois de ameaças de suicídios à base de sucessivas overdoses de Leite de Magnésia Phillips, depois várias rodadas de roleta russa de grossíssimo calibre, depois de agudos e lancinantes gritos a la Drew Barrimore no filme ET, depois de pulsos cortados e pulos abortados do 14ª andar, este escriba foi conduzido por furiosos verdugos agenciados pela Scothland Yard até uma masmorra escondida, sendo forçado a fazer o login no seu Cunhão Trincado para escrever, através dos mais atrozes vilipêndios, mais um texto psico-afetivo-filosófico-existencial, texto esse que nasce melado de sangue, e importante, recém-parido, primeiro pelo apelo e pelos maus-tratos, segundo porque trás consigo a responsabilidade de ter tido de existir algum dia. Chegou sua hora. Segurem-se nos seus mouses... lá vai


O homem está condenado à liberdade
Quem disse essa besteira? Jean-Paul Sartre (1905-1980). Besteira é uma pinóia, pelo contrário, é uma premissa corrente nesses dias em que o relativismo corrói a mentalidade da grande massa.
Jostein Gaarder, autor de O Mundo de Sofia, ajuda a traçar o pensamento de Sartre como sendo existencialista por excelência, colocando o homem como ponto de partida de tudo. Ao contrário de Kierkegaard, que era cristão, Sartre representa um existencialismo ateu. Empunhando esse estandarte, ele aborda temas centrais do pensamento de Hegel e Marx, descrevendo o homem como um ser estranho no mundo, suportando uma carga de sensações de desespero, tédio e toda sorte de animosidades que provocam náuseas.
Os humanistas da época do Renascimento eram ufanes ao ostentar em tom de triunfo a liberdade e independência do homem. Sartre vem de encontro a esse pensamento, pois achava que tal liberdade era uma maldição. “O homem está condenado à liberdade”, dizia ele. Condenado porque não se criou e, não obstante, é livre. E uma vez atirado ao mundo, passa a ser responsável por tudo que faz.
Somos indivíduos livres e a nossa liberdade nos condena a tomarmos decisões durante toda a nossa vida. Não existem, para Sartre, valores ou regras eternas, a partir dos quais podemos nos guiar. E isso torna mais importante nossas decisões, nossas escolhas. Sartre chama a atenção precisamente para o fato de o homem nunca poder negar sua responsabilidade pelo que faz. Aquele que assim procede mescla-se a uma massa anônima e se transforma em parte impessoal dela. Ele foge de si mesmo e se refugia na mentira. De outra parte, a liberdade do homem nos obriga a fazer de nós mesmo alguma coisa, a ter uma existência “autêntica” ou verdadeira.
Ao contrário de Sartre, este escriba acredita que possuímos uma origem, um início: Deus.
Fazendo uma alusão ao argumento ontológico de Santo Anselmo, Deus existe necessariamente, pois é impossível pensar em um ser perfeito, e negar-lhe a existência, atributo da perfeição. Ora, se somos capazes de pensar no Ser perfeito é porque Ele existe, porque a perfeição não engloba apenas essência, mas essência e existência.
Professar uma fé e participar de uma igreja são os meios que levam as pessoas a encontrar o religare, a re-ligação, aquilo que as trás de volta à sua origem, dando-lhe respostas íntimas e existenciais. Ao contrário do que acontece costumeiramente, uma religião não pode interferir na liberdade do indivíduo, e nem levá-lo a graus de fanatismo e alienação. A religião deve ser uma ferramenta para se encontrar-se a si mesmo, pleonasticamente falando.
Thomas Merton (1915-1968), monge americano, esboça, através de uma alegoria, como seria a nossa existência sem um norte, dizendo que “se a nossa vida é dissipada em palavras inúteis, jamais ouviremos qualquer outra coisa no fundo do nosso coração, onde Cristo vive e fala em silencio. Nunca seremos nada e, no fim, ao chegar a hora de mostrarmos quem somos, apareceremos sem nada a dizer no momento da decisão crucial: haveremos dito tudo e estaremos exausto de falar antes mesmo de termos alguma coisa a dizer”. E completa: “Aqui jaz um defunto que fez da indiferença um ídolo. Sua oração em vez de inflamá-lo, apagou-lhe o coração. Seu silencio não é atento a nada, não escuta nada e nada tem a dizer. Venham as andorinhas, e façam o ninho em torno desse homem, e ensinem seus filhotes a voar no deserto que ele fez da sua alma, e assim, ele não ficará inútil para sempre."
Entre tantas correntes filosóficas e outras muitas posições ortodoxas, fazer a opção pela senda que Jesus apontou é a mais sóbria das escolhas: “A verdade vos libertará”.
Mas o que é a verdade? Pilatos com esta indagação emudeceu Jesus, não por não haver resposta, mas para deixar para todos nós a iniciativa de buscar a verdade.
Por fim, quebrando as pernas de Sartre, atesto que o homem não foi condenado e recebeu como sentença a liberdade, não. O homem ganhou a liberdade como prêmio, por ser dotado de vontade e de inteligência, para usar da maneira lícita, segundo os critérios impressos na sua alma, alma essa que tem fome e sede de sua origem, fome-sede-saudade de Deus.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Viva la vida



Numa fria manhã de sábado, um grupo de estóicos exploradores de caminhos e trilhas descem de Portalegre/RN em busca das gélidas águas da Cachoeira do Quati, situada no sopé da serra, já na zona rural de Tabuleiro Grande/RN. Sob a trilha sonora de Cold Play, empreenda com a gente nessa epopéia, conferindo as encantadoras paisagens do interior potiguar, onde a legítima vida bucólica é real, onde as divagações do agitado mundo ficam de fora, onde a reflexão acerca do paraíso na terra se torna uma clarevidência.

Sair por ai vagando por caminho nunca dantes percorrido, esperando que o sol finalmente desperte e atinja os seus breves momentos no extremo horizonte, isto num dia frio e tendendo a ficar cinzento, e ver a mais branda e brilhante luz solar desencadear-se sobre a mata verde, sobre os troncos das arvores e da vegetação rasteira, enquanto as nossas sombras alongadas se projetam no campo em direção oeste, como se fossemos os únicos obstáculos de seus raios. Tal era aquela luz que momentos antes não a poderíamos ter imaginado e a atmosfera era tão morna e serena que nada faltava para que o prado se fizesse o paraíso. Quando refleti que aquilo não era um fenômeno isolado que nunca mais se repetiria, mas que aconteceria sempre num infinito numero de manhãs, e que embalaria a mais tardia criança que lá aparecesse, o espetáculo tornou-se ainda mais glorioso, a tal luz, tão pura e brilhante, dourou a relva e as folhas ainda molhadas pela bruma da madrugada, tão suave e serenamente cintilante que imaginei nunca antes ter-me banhado em semelhante fonte de ouro, isenta de qualquer ondulação ou murmúrio.


terça-feira, 7 de julho de 2009

Deslumbramentos

Estreado o quadro Deslumbramentos, onde conversas "intelectuais" são tratadas em locais e em momentos inesperados, venho trazer no episódio de hoje:


Direitos Humanos com o taxista

- Sabe que queimaram um ônibus aqui na cidade?
- É? Nossa, uma cidade tão pequena...
- Sabe de quem é a culpa? Dessas pessoas que deixam todos muito livres.
- Mas quem é que está livre hoje em dia? Não percebe que estamos todos capturados pela sociedade de controle, que o panóptico já se transformou em seminóptico, que os mecanismos sociais consistem na docilização das pessoas?
- Ã?
- Pois então, é isso mesmo, estamos cristalizados em estruturas que não permitem o refluxo. A sustentação de identidades rígidas trabalha a serviço da economia de massa e as pessoas perderam espaço para reflexões. O terrorismo do Estado se man...
- Escuta, onde você vai ficar mesmo?

terça-feira, 23 de junho de 2009

MeViTeVendo

Jacques Lacan & Atchim

Divagações acerca do imaginário e suas implicações no amor, no ódio e na agressividade, acompanhado de uma gripe da "pantera".

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Quero voltar pra barriga da minha mãe, porque lá não tem maldade

Olhar em tempos Pós-Modernos é como viajar em torno de si mesmo. O inferno do mesmo, como dizia Baudrillard.
O olhar capturado pela coisa, pela mercadoria se torna um olhar-sintoma...Um olhar Fantasma colado no semblante do objeto. O Sujeito barrado é expulso de suas conexões jogado na ordem do mais-gozar Lacaniano. Nessa trajetória errante, a subjetividade é subsumida por representações das coisas, por simulacros digitais relembrando Blade Runer de Ridley Scot. Quem é o próximo Replicante? A dobra ou os desdobramentos da alienação ótica força a linguagem do visível ocultando a visão pela hiper-visibilidade, pela saturação da imagem, pela necessidade do excesso, do monstruoso. O olhar do outro é uma representação monstruosa. Nesse sentido os afetos, os laços sociais são fragilizados numa teia de significações perversas que repõem na economia Psìquica as tensões necessárias para manter a ordem capitalista vigente.
Diante da falência de uma certa lei mínima, Eros e Tanatos brigam num jogo Kafkano, ou Bergmniano. Serpente nem sente que me envenenou num olhar Caetânico. A Música parece uma opereta que não consegue desdobrar intervalos, nem silêncios.
O fim das vanguardas, ou o fim das retaguardas evoca uma perda violenta de sentido existencial. Nessa sociedade Policial, como dizia Foucault, é preciso Vigiar e Punir.
O Louco, o Poeta, o Visionário expulsos pelo olhar Platônico trazem na potência dionísica o choro de Nietzsche!...Broduway ou Holiwood não são meras marcas... Parece que expulsaram também o Fantasma da Ópera e o encarceraram em algum lugar. A Ópera em nosso olhar vazio, cheio de desejo... O desejo resvala, exala e inala os perfumes de nosso tempo. Talvez um passeio pelo desejo possa abrir certas janelas... Talvez Afrodite seja mais que um Filme de Wood Allen.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Simbiose


“Associação de dois seres vivos, na qual há benefícios recíprocos; vida em comum”(dicionário Silveira Bueno)

Simbiose, palavra corrente nos balbuciares de geneticistas, biólogos, farmacêuticos, quando estão com aqueles vidrinhos laboratoriais, com toda sorte de soluções químicas, fazendo os mais inauditos experimentos malucos, com a recôndita pretensão de descobrir a fórmula secreta que o faça detentor do maior segredo do mundo, para que assim possa dar os primeiro passos na dominação do planeta.
Deixando as “viagens” de lado, a simbiose pode ser compreendida através do exemplo clássico das mitocôndrias. Há quem diga que elas não existam, coitadas! O fato é que essas danadas moram dentro das células eucarióticas sem pagar aluguel, numa estreita relação de dependência, onde uma não viveria sem a outra. Ora, para a mitocôndria não é só sossego não, de um lado ela tem na célula um ambiente quentinho e seguro para seu desenvolvimento, mas, em contrapartida, se responsabiliza pelo fornecimento de energia para sua hospedeira.
Vamos lá, pensemos em duas coisas magneticamente opostas, que não tem nada a ver, mas que sempre se atraem... puf...eis alguns exemplos: cocó e trança, dedinho do pé e canto de móvel, jato de mijo e tampa de vaso, nariz e dedo, leite fervendo e fogão limpo, café e toalha branca, tornozelo e pedal de bicicleta...
Quero, com toda essa baboseira, levar o leitor a matutar acerca do “quem” ou “o quê” encerra o seu ciclo simbiótico pessoal, quem/o que seria a outra metade, aquilo que mantem um laço de dependência vital, sem o qual não sobreviveria?
Chacoalhando a pitomba existencial e metafísica na boca, examinando minha relação simbiótica, acabo descobrindo muitas, milhares delas (sic), uma espécie de colcha de retalhos (patchwork) se desvela diante de mim, num turbilhão de lembranças que insiste em espancar minha face aqui e afagar acolá, levando-me a concluir que há muitas coisas que estão intimimente ligadas a mim, que não solto nem por 100 e uma fanta. Tudo isso sou eu, ou seja, eu sou minha vida, não há como ficar no singular. Passo a listar alguns insight's* del fuego:

Ventinho que sai do motor do liquidificador
Baladeira
Futebol na chuva
Roubar vela do cemitério em dia de finados
Lamber restinho da massa de bolo que fica na batedeira
Cheiro da prova rodada no extensil
Fazer aviões de papel
Pêra, uva, maçã ou salada mista combinado
Caldo de cana com pastel
Apagar vela de aniversário antes do aniversariante
Monte Sinai
Capitães de Areia, de Jorge Amado
Sonata ao luar, de Beethoven
Reconciliação na chuva
Colecionar coisas sem futuro
Padre Jorge
Vitamina de beterraba
Fogo vermelho do fogão a lenha
Relâmpagos silenciosos numa casa sem energia
Gato preto de porcelana esguio com olhos de botão
Dançar quadrilha
Mordida em jambo maduro
Ordem dos Frades Menores
Mazurka, opera 39 de Tchaikovsky
Fazer “aviãozinho” no terraço todo ensaboado
Cabelo grande, numa rebeldia sem causa aparente
CEFET-PI
Catuaba Guaracy
Percorrer uma fileiras de lençóis brancos lavados e estendidos
Virgília Pascal de 2005
Não vá embora, da Marisa Monte
Cheiro do Pinho Sol tradicional
Andar a cavalo
Ping-pong
Santas Missões Populares
Punhal prateado encontrado no quintal da vovó
Giraya, Jaspion e Changeman
Beijos recebidos no olho depois que seu Cristóvão tomava uma
Natação no clube da Cepisa
A lista de Schindler
Ascensão para a Verdade, de Thomas Merton
Ploc Monster
Noticia do Chupa-Cabra no Fantástico


E por ai vai. A vida, como a roda gigante, tem seus altos e baixos.
Partilhei os altos, os picos, os cimos, na esperança de suscitar em ti a confecção da tua própria lista.
Tudo isto ainda pulsa dentro deste incauto escriba envelhecido em barris de bálsamo. Tudo é vivo. Tudo é claro. Tudo é nítido como ontem. Não seria quem sou sem tais experiência, e estas não seria tão intensas se não acontecessem comigo.
A confluência de muitas simbioses vem desaguar em mim, trazendo lucidez e contradições, trazendo o auto-conhecimento. Todos tem suas simbioses, sejam elas objetos/lembranças/pessoas. Não concordo quando o intemperado Jean-Paul Sartre cochichava no ouvido de sua Simone dizendo que “o inferno são os outros”. Não aqueles “outros” do Lost. Falo dos nossos muitos outros, gente que entrou/saiu, mas permaneceu/permanece, presentes presente na vida.
Vida. Mais vida. Uma vida dentro de outra vida. Somos nossa vida. E quando vejo que a vida espera mais de mim, mais além, vejo que o aprendizado é o próprio fim. Há fim? Será fim? Enfim, no zigue-zaguear da vida, entre decadências e elegâncias, vou aceitando o caos nosso de cada dia.
*A psicologia explica que são os momentos em que uma pessoa se torna lúcida e capaz de entender seus problemas e finalmente encontra a solução para os mesmos!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Vendo o invisível

"como se visse o invisível" (Hebreus 11, 27)

O que seria ver o invisível hoje? Seria ter uma clara convicção daquilo que poderá vir acontecer? Ter diante dos olhos uma realidade tão certa, tão nítida, que ainda não ocorreu, mas que trás a certeza da sua concretude?
O autor bíblico nos faz relembrar a atitude de Moisés, quando este saiu do confortável palácio do Faraó para se juntar ao seu povo, os hebreus, empreendendo um fuga cinematográfica pelo deserto, saindo do cárcere à liberdade, com direito a passar pelo Mar Vermelho sem molhar os pés. Quando uma convicção descomunal se apodera do âmago do homem, pode haver algo que o segure? Quando a certeza está diante dos olhos, há jeito que não dê jeito?
Dentre muitas certezas que temos nessa vida de meu Deus do céu, poucas nos arrastam. Somos cegos, e também preguiçosos.
Literatura, música, natureza: verdadeiros "cirineus" na percepção do invisível.
Quem não fica ofegante diante das poesias de Pablo Neruda, da prosa fácil de Quintana, das canções do Roberto Carlos? A reação de encantamento tida no contato com essas belas artes não seria tocar o invisível, metafisicamente falando? Ora, os sentidos nesse momento são os auditores da veracidade de tal fato, Schopenhauer quem o diga.
O prodigioso Jorge Vercilo, num lampejo de pura clarividência, canta:

"Eu quero ver o invisível,
prever o que está no ar.
Como previ meu futuro ao te ver passar"

Desconfio que esses caras devam ter umas tramóia da pantera, algo como um pacto secreto com a eternidade, uma parada sobrenatural. O trecho da canção "Invisível" expressa bem a certeza de visualização daquilo que não se pode enxergar.
"Disbuiando" em miúdos, trazendo um exemplo para a prática, é você bater o olho numa pessoa e ser acometido duma certeza avassaladora nunca d'ante sentida, é você se abrir para uma realidade onde um ciclo se fecha: É ELA! Dizem os apaixonados que sininhos se fazem ouvir nessa hora.
A cantiga verciliana prossegue:
"Preciso aprender a ver o que não se vê
Para me transformar no que o amor quiser
Ouvir o que não se diz com os olhos te entender
Pra te fazer feliz como me faz você"

Há como não se ver? Há como não te ver? Há como não antever? Há como não prescrever?
Diante do mistério, resta-nos ficar em silêncio. Não há conceitos, não há bê-á-bá, e nada mais a declarar!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sem saber o que escrever

Não sei o que diachu quero escrever aqui hoje, estou esperando a bendita inspiração – acho que ela virá em breve, depois desse fim de semana. Enquanto não sei “o quê” escrever, partilho com os leitores deste augusto cunhão algumas formas de “como” escrever, vejamos:

ESCREVENDO COM OS COTOVELOS:

ekieiewiuoerioerioreope4pçe4´[e4[é44oi4io4e90490operlodk,lklfkldfoporp~ç´ftrpç´~ftrpdfofdpçrfp~çér

ESCREVENDO COM O NARIZ:

bn dfg5e4w2qhm jlloi9ik8juhjyuhy7gtfcvbvgnhjujty54

ESCREVENDO COM O QUEIXO:

m,nnbntrfert578uinhjfgdeeryuuijn b v sdrt4t6uopop

ESCREVENDO O PRÓPRIO NOME AVEXADO COM OS ZÓIOS FECHADOS:

Crixotvçao Juniofr
Cristovao Nunioo
Cristiovaio Nubnior
Cristovao Junior
cristova,o Jnuoor
Cristova,o Junoopr

Meu Deus, o que é isso, deixem pra lá, peço-vos perdão, trata-se de mais um momento de precipitação!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A poeira e a estrada

Atendendo a vários pedidos e algumas ameaças, disponho a todos os assíduos leitores deste cunhão duas pérolas do cancioneiro nordestino, advindas do cantor e compositor pernambuncano Maciel Melo, verdadeiros tratados epopéicos da vida interior do homem do sertão.


Amigo olhe a poeira olhe a estrada. Olhe os garranchos que arranham pensamentos. Entre o cascalho vá separando os espinhos. Não esqueça que os caminhos são difíceis pra danar. Nem todo atalho diminui uma distância. Nem toda ânsia no final tem alegria. Veja na flor que o espinho lhe vigia. A noite adormece o dia e a lua vem lhe ninar. Devagarinho vá pelo cheiro das flores. Siga os amores nunca deixe pra depois. Nem tudo é certo como quatro é dois e dois. Nem todo amor merece todo coração. Se a poesia ainda não lhe trouxe o fermento. E o sofrimento entre o amor ganhou a vez. Nem tudo é eterno quando a gente ama. Por isso amigo não se entregue agora. Talvez um dia o mundo lhe peça perdão. Por isso não se perca não. Os amores vão e a gente fica.

Que nem vem vem

Quebrei no dente o taco da literatura Tô na história, tô eu sei Que eu sou motivo pra falar Entrei de cara, cara, tô caindo fora Tá no tempo, já é hora de poder me desfrutarSemente negra, eu sou raiz poderosaAguada em verso e prosa na cacimba de BeláMeu canto tem um chapo-chapo de uma cuiaTem, tem, tem as manhas que mestre Louro plantouPra colher eu canto assim que nem vem-vemPra soar como um acorde de sanfonaFestejar que nem passarim no XerémNamorar com as batidas da zabumbaTum, tum, tum, bate bate meu coraçãoPor um forró que nem o de Passagem FundaTum, tum, tum, bate bate meu coraçãoDá-lhe Zabumba Jackson no Pandeiro é ásTum, tum, tum , bate bate meu coraçãoSe esse moreno não me querNão quero maisNão quero maisTum, tum, tum, bate, bate meu coraçãoPor um forró que nem o de Passagem FundaTum, tum, tum, bate meu coraçãoPor um forró que nem o de Passagem FundaTum, tum, tum bate meu coraçãoDá-lhe zazumba, Jackson no Pandeiro é ásTum, tum, tum, bate, bate meu coraçãoSe esse moreno não me querNão quero mais, tum, tum, tum, bateBate meu coraçãoPor um forró que nem o de Passagem FundaTum, tum, tum, bate, bate, meu coraçãoDá-lhe zabumba, Jackson no pandeiro é ás, Tum, tum, tum, bate meu coração.
Composição: Maciel Melo

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Mevitevendo

Estreando o quadro “Mevitevendo”, partilho com os meus asseclas fiéis e leitores do cunhão trincado a disposição interior com a qual acordei hoje: É um misto de Sóren Kierkegaard com Sassá Mutema. Um cheio de angústias religiosas, e o outro que ia do nada ao entendimento.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Vida de Gado, por Pedro Oliveira

Quem ler vive mais, diz o poeta. E vive de fato quem tem consciência da realidade vivida; quem infere sobre a vivência; quem interfere na convivência.
Lendo Os Irmãos Karamázov de autoria do mestre da literatura universal, Dostoiévski, que neste 28 de janeiro se completam 128 anos de seu silêncio, suscitou-me o desejo de partilhar alguma conclusão com quem interessar. Sem dúvida, a leitura desta obra é fundamental para a sobrevivência de quem quer se desviar da onda do “deixa a vida me levar.”
A referida produção está centrada num dilacerante conflito no seio de uma família nobre da sociedade russa por meio do qual o autor descreve o quadro de decadência dos princípios éticos e valores sociais da época (séc. xix).
O drama familiar em questão é costurado pelo tema mítico do parricídio, fenômeno provocador da sensibilidade humana, desencadeador das mais diversas reações e reflexões.
A trama tem lugar na imaginária cidade de Skotoprigonievski, um nome cuja tradução indica local em que o gado é recolhido, ou simplesmente feira de gado. Por ser uma realidade paradigmática, esta cidade assume caráter universal, está em todo lugar e seus habitantes, como gado, sobrevivem encurralados.
Parricídio, ato deplorável, ignominioso...! Assim é encarado nas mais diferentes culturas. Resultante de todo o tipo de sublevação dos valores humanos e da sociabilidade: má criação, desestruturação da família modelar, descarte da figura do pai... Eis a grave problemática enfrentada pela humanidade no mundo moderno onde tal fenômeno, detestável no plano objetivo, adquire formas aceitáveis numa dimensão subjetiva: é o que se pode classificar de parricídio social.
As transformações trazidas pela modernidade implicaram novos valores que atingiram de cheio a família tradicional desencadeando, em particular, uma crise à figura do pai.
Num mundo em que a sensualidade é absolutizada como fonte de prazer, o ser pai acaba resultando do desvario do instinto, de relacionamentos prematuros, descomprometidos, egoístas e hedonistas. Em conseqüência disso surgiu uma sociedade sem pai ou de pai ausente.
Dostoiévski ad mirando o real significado do ser pai assim pergunta: “o que é um pai, um de verdade, que palavra tão grandiosa, que idéia tão formidável há nesse nome?!” A paternidade não é apenas algo instintivo, biológico, mas é, sobretudo, expressão de livre decisão pessoal, de compromisso com a vida. Ser pai implica presença conseqüente.
A falta da figura do pai desestrutura, debilita, fragiliza os filhos; gera desequilíbrio da formação pessoal, delinqüência, uma vez que o pai é a personificação simbólica das atitudes necessárias para a afirmação do indivíduo como pessoa e como ser social.
Na ausência do pai a missão que antes lhe era imputada, agora é delegada ao Estado que através de seus instrumentos de repressão, disciplina, ordena e conduz a vida social tal qual o criador à frente de seu rebanho. “Ê, vida de gado...”
Quem sabe seja por isso que o nosso Machado de Assis, contemporâneo de Dostoiévski, tenha dito através de um personagem de sua criação literária o que sentia por não ter sido pai. Assim, Brás Cubas nas próprias Memórias Póstumas, exprima sua vitória sobre a vida ao afirmar: “– Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”

Pedro Oliveira da Silva é Professor de História na Rede Municipal de Ensino de Teresina/PI

sábado, 9 de maio de 2009

Versos íntimos - Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

:'-(

Por ti chorei lágrimas de rodoviária, lágrimas com poeira de estrada perdida, lágrimas e poeira que viraram maquiagem de lama, tijolos d´alma, petrificando esta face, paralizando um semblante tristemente sepulcral.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

dia do livro


"Meus filhos terão computadores, mas primeiro terão livros"
(Bill Gates)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Te amo

"Quisera ter a coragem de dizer como é grande o meu amor, mas não sei o que acontece minha voz desaparece quando a seu lado estou. Eu procuro ir disfarçando, é sorrindo ou cantando, mas por dentro eu estou chorando. Nem mesmo o céu que a todos faz sonhar não consegue me inspirar, eu só sei que estou sofrendo, pouco a pouco vou morrendo só por não saber falar, e sozinho eu te chamo, bem baixinho eu reclamo, que vontade de dizer:
TE AMO!"

(um cão vadio aos pés de uma mulher-lembrança, ouvindo Te amo da Wanderléia, a namoradinha do Roberto Carlos nos idos da década 60, pérola do cancioneiro bêbado. Se a vida dói, drink cowboy)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Dom

"Quando um homem se retira do tumulto exterior para entrar no segredo do seu coração, quando fecha a porta à multidão ruidosa das vaidades e percorre os seus tesouros interiores, quando nada encontra em si mesmo que esteja agitado e desordenado, nada que o atormente e o contrarie, quando tudo nele está cheio de alegria, de harmonia, de paz e de tranqüilidade; quando o pequeno mundo dos seus pensamentos, das suas palavras e das suas obras lhe sorri, como a família sorri ao pai numa casa onde reina a ordem e a paz; nessa altura, surge de repente uma segurança maravilhosa. Dessa segurança provém uma alegria extraordinária, dessa alegria resulta um canto de satisfação e de louvor a Deus, louvor esse tanto mais fervoroso, quanto mais claramente se compreende que tudo quanto se tem de bom é dom de Deus."
(Aelred de Rielvaux (1110-1167), monge cisterciense)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Bendita crise

Bendita crise que sacudiu o mundo e a minha vida
Bendita crise que está reciclando tudo
Bendita crise que veio tirar a minha ilusão de permanência
Bendita crise que vai trazer evolução
Bendita crise que vai fazer o mundo se reestruturar
Bendita crise que traz a transformação
Bendita crise que vai me ensinar o que é verdadeiramente importante
Bendita crise que é um desafio
Bendita crise que vai me revelar a minha própria sabedoria
Bendita crise que dissolve meus apegos
Bendita crise que vai ampliar minha visão
Bendita crise que me faz humilde
Bendita crise que vai abrir meu coração
Bendita crise que me traz de volta a confiança
Bendita crise que vai me mostrar outras oportunidades
Bendita crise que me faz dar mais importância à vida
Bendita crise que me tirou do marasmo
Bendita crise que leva a um novo paradigma
Bendita crise que está me mostrando a Luz
Bendita crise que me fez voltar a ter fé
Bendita crise que me traz de volta a aventura de viver
Bendita crise que é o Ponto de Mutação
Bendita crise que me traz de volta o amor pela humanidade

sexta-feira, 13 de março de 2009

Homenagem tardia às mulheres

"Dai às paixões todo o ardor que puderdes, aos prazeres mil vezes mais intensidade, aos sentimentos a máxima energia e convertei o mundo em paraíso, mas tirai dele a mulher, e o mundo será um ermo melancólico, os deleites serão apenas o prelúdio do tédio."
[fragmento da obra “Eurico, o presbítero”, de Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo]

segunda-feira, 9 de março de 2009

Saber nunca é demais

Você sabia que antigamente, na Inglaterra, as pessoas que não fossem da família real tinham que pedir autorização ao Rei para terem relações sexuais?
Por exemplo: quando as pessoas queriam ter filhos, tinham que pedir consentimento ao Rei que, então ao permitir o coito, mandava entregar-lhes uma placa que deveria ser pendurada na porta de casa com a frase 'Fornication Under Consent of the king' (fornicação sob consentimento do rei) = sigla F.U.C.K., daí a origem da palavra chula FUCK.

Já em Portugal, devido à baixa taxa de natalidade, as pessoas eram obrigadas a ter relações: 'Fornicação Obrigatória por Despacho Administrativo' = sigla F.O.D.A., daí a origem da palavra FODA.

Por sua vez, quem fosse solteiro ou viúvo, tinha que ter na porta a frase: 'Processo Unilateral de Normalização Hormonal por Estimulação Temporária Auto-induzida', sigla P.U.N.H.E.T.A.

Vivendo e aprendendo... A gente pode até dizer palavrão, mas com conhecimento e cultura é outra coisa...

(recebido por e-mail da amiga Beta)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sabedoria Popular

“Antes do casamento, abra bem os olhos. Depois do casamento, feche bem os olhos.(...) O casamento mais harmonioso é o de uma mulher cega com um homem mouco.”
Do Almanaque O Juizo do Ano, de Manoel Caboclo e Silva, Juazeiro do Norte, 1995.

Metalinguística


SAI PRA LÁ, URUBU!
ou
Dê uma distância regulamentar tomando como ponto de referência a minha pessoa, ó imensa ave com predomínio de melanina negra e comedora de carcaças animais.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O negócio tá russo, Rousseau!

Dando continuidade ao meu intento de escrever qualquer asneira nesse espaço, venho tecer algumas considerações acerca de Rousseau (leia russô!), um cara meio polêmico que viveu nas efervescências do século XVIII.
Jean-Jaques Rousseau é suíço, nascido em Genebra. Digamos que ele sente um forte apelo ao retorno do homem as suas raízes junto a natureza, da forma primitiva, quando não havia uma sociedade civilmente organizada. A civilização, na sua ótica, estragou tudo, sendo responsável pela degeneração das exigências morais mais profundas da natureza humana:“não se trata, portanto, de acabar com as academias, as universidades, as bibliotecas, os espetáculos. As ciências e as artes podem muito bem distrair a maldade dos homens e impedi-los de cometer crimes hediondos”. Ou seja, é necessário se servir das ciências e das artes, como se remédio fosse, para curar o próprio mal que causaram.
Sei, caro leitor, você deve estar pasmo com tamanha estupidez; saibas tu que até Voltaire quase regurgita ao se deparar com tal pensamento, chegando a comentar que “ninguém jamais pôs tanto engenho em querer nos converter em animais, ler Rousseau nos faz nascer o desejo de andar em quatro patas”.
Tenhamos calma, a intenção do nosso filósofo não era exaltar a animalidade do selvagem, porém sua mais profunda humanidade em relação ao homem civilizado. Ele entendia que segregado da sociedade, o homem poderia adquirir o avanço dos horizontes intelectuais, o enobrecimento dos sentidos e a elevação total da alma.
Se os abusos do estado social civilizado não o colocassem abaixo da vida primitiva, o homem deveria bendizer o instante que o arrancou da animalidade e fez de um ser estúpido e limitado uma criatura inteligente.
Entendamos a linha de pensamento de Rousseau que quis combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos, como nos deixou a impressão no inicio dessa prosa.
Só para termos uma idéia da influência desse “maluco”, muitos dos movimentos que buscavam a liberdade beberam da sua fonte (Marxismo, Anarquismo etc).
Ok, tá bem, não precisam ficar enchendo minha caixa de e-mail pedindo que pra postar alguma outra coisa. Qualquer dia eu volto a trazer outro pensador ou, quem sabe, alguma estratégia para dominar o mundo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

R$

O dinheiro não é tudo e, muitas vezes, não é nem mesmo suficiente.

(i)moralidade na Administração Pública

Tá, já sei, é um tema muito batido, mas sempre cabe mais uma colocação, principalmente por que convivememos com isso diariamente.
Falar da (i)moralidade na administração pública brasileira num país corroído e apodrecido pelos germes sépticos da “politicagem” é matéria que dá muito pano para a manga. Somos levados ao acomodamento e a pensar que “as coisas são assim mesmo, que não tem jeito que dê jeito”; enquanto isso, a grande maioria fica aí nas praças, dando milho aos pombos, anestesiados e impotentes, assistindo o “trem da alegria” passar. Sim, “trem da alegria”, expressão utilizada para designar o rebanho de parentes que ingressam no serviço público sem prestar qualquer tipo de seleção pública, pois o “câncer” do apadrinhamento ainda nos acompanha atualmente.
Será que podemos falar que tudo que ocorre nesse cenário deve-se ao problema de “miopia” dos nosso administradores que são, na maioria das vezes, incapazes de distinguir o público do privado? Não!
A História nos mostra que esse “câncer” nos acompanha desde os tempos do Brasil-Império. A principio, a intensão do administrador é a de manter o controle em toda as esferas do Poder, colocando seus subordinados em funções de confiança para desempenhar papéis de chefia, mas, sabemos nós, que estes não passam de “laranjas”, que emprestam seus nomes apenas por mera formalidade, posto que o que mais importa são os rendimentos mensais em suas contas bancárias.
É certo vermos a “politicagem” acontecer no inicio de cada gestão de governo, seja ele em qual esfera for (federal, estadual ou municipal). Um guerra de interesses por um “lugar ao sol” é travada entre os partidos políticos que compuseram a chapa vitoriosa, um posto que tenha uma notória visibilidade e que haja a possibilidade de se levar a maior quantidade de asseclas1.
Com base nas observações acima, é possível concluir o quanto temos que avançar, para que haja uma administração pública decente, que respeite a feição republicana do Estado brasileiro, a
democracia e o combate à corrupção.
1Partidários.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Conte-nos, Comte!

O pensamento Positivista nasceu com Auguste Comte, francês, nascido em Montpellier em 1.798. Comte é considerado também o pai da Sociologia. O Positivismo surgiu no apogeu do Iluminismo e durante a crise social no fim da Idade Média. Tais eventos ajudaram a fomentar a Revolução Francesa.
Diante deste panorama, a doutrina Positivista conseguiu congregar muitas pessoas ao seu redor, pois trazia consigo um desprendimento das idéias teocêntricas, que alienava o povo. Trouxe respostas para questões que até então só era explicado pelo ótica divina. À luz da razão e da ciência, Comte não apenas inaugurou uma nova corrente filosófica, como se propôs reformar a sociedade pela linha intelectual, seguindo os seguintes passos: reorganização intelectual, reorganização moral e reorganização política.
A raiz etimológica “positiva” vem trazer idéias que se contrapõe entre si, significando o real se opondo ao quimérico, o útil ao ocioso, a certeza à indecisão, o preciso ao vago, o relativo ao absoluto.
Segundo Comte, o homem deve passar por três estágios ao conceber as suas idéias: teológico, metafísico e positivo.
No estágio teológico o homem recorre aos deuses para solucionar as dúvidas acerca da sua origem, do seu fim, além de busca compreender a sede pelo absoluto. No estágio metafísico o homem percorre metade do caminho, trazendo elementos positivos para as dúvidas ainda existentes sobre sua origem e fim, só que no lugar dos deuses há outras entidades abstratas em que se apoiar. Por fim, no estágio positivo, o homem não está tão preocupado com o "porquê" das coisas, mas sim com o "como"; há uma relativização de todos os conceitos já adquiridos, passa-se a entender que as verdades variam conforme a época, o lugar, grupo social etc. É nesse estágio que se dá a aplicação de técnicas cientificas para restabelecer a ordem na sociedade.
Desta forma, o pensamento positivista vem trazer incremento para o progresso do bem-estar moral, intelectual e material da sociedade.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

capa, corpete de couro, máscara e botas

Uma noiva, uma casada e uma amante decidiram fazer uma brincadeira, seduzir seus homens usando uma capa, corpete de couro, máscara nos olhos e botas de cano alto, para depois dividir a experiência entre elas.No dia seguinte, a noiva iniciou a conversa:- Quando meu namorado me viu usando o corpete de couro, botas com 12 cm de salto e máscara sobre os olhos, me olhou intensamente e disse: Você é a mulher da minha vida, eu te amo! Fizemos amor apaixonadamente.
A amante contou a sua versão:- Encontrei meu amante no escritório, com o equipamento completo! Quando abri a capa, ele não disse nada, me agarrou e fizemos amor a noite toda, na mesa, no chão, de pé, na janela, até no hall do elevador!
Aí a casada contou sua história:- Mandei as crianças para a casa da minha mãe, dei folga pra empregada, fiz depilação completa, as unhas, escova, passei creme no corpo inteiro, perfume em lugares estratégicos e caprichei: capa preta, corpete de couro, botas com salto de 15 cm, máscara sobre os olhos e um batom vermelho que nunca tinha usado. Pra incrementar, comprei uma calcinha de lycra preta com um lacinho de cetim no ponto G. Apaguei todas as luzes da casa e deixei só velas iluminando o ambiente. Meu marido chegou, me olhou de cima abaixo e disse:

- Fala aí, Batman, cadê a janta?

O leão e a gazela

Na África, todas as manhãs uma gazela acordava sabendo que ela deveria conseguir correr mais do que o leão se quisesse se manter viva. Todas as manhãs, o leão acordava sabendo que deveria correr mais do que a gazela se não quisesse morrer de fome.
Moral da História: Não faz diferença se você é gazela ou leão, quando o sol nascer você deve começar a correr.

Abrázame así - Roberto Carlos

Estreando esse espaço, atendendo ao fim a que se destina - ser um bálsamo digital para todos aqueles que miram o fundo de suas xícaras de café e não enxergam uma solução pros problemas do coração - venho trazer uma pérola Robertiana, el mejor del portuñol selvagem.

ABRÁZAME ASI

abrázame asi
que esta noche yo quiero sentir
de tu pecho el inquieto latir
cuando estas a mi lado
abrázame asi
que en la vida no hay nada mejor
que decirle que sí al corazón
cuando pide cariño
a...brázame así
que en un beso te voy a contar
el más dulce secreto de amor
que hay en mi corazón
acércate a mí
que esta noche vivamos los dos
la mas linda locura de amor
abrázame así